O que é a ansiedade?
A ansiedade pode ser considerada uma emoção que desencadeia um alarme de sobrevivência no nosso corpo. Ela aparece justamente quando estamos/ ou podemos estar perante uma situação de perigo ou desconfortável, sendo estas duas suficientemente ameaçadoras ao nosso bem estar normal.
Esta emoção é muitas vezes caracterizada como um medo exagerado em relação ao futuro ou a um evento próximo cujas consequências podem ser determinantes. Esse medo pode ser de tal forma distorcido na nossa mente que acaba por ganhar contornos exageradamente negativos para nos fazer recuar daquilo que se pretende fazer ou conseguir.
Os sintomas da ansiedade já são tratados e descritos há mais de 2.500 anos tanto por filósofos como por médicos da Grécia Antiga, no entanto só no século XX é que os psiquiatras conseguiram determinar que a ansiedade patológica tinha características muito especificas, deixando assim o nome “Transtorno de Ansiedade” no topo dos manuais médicos globais.
Quais são os sintomas físicos e psicológicos?
A pessoa que sente ansiedade pode manifestar sintomas físicos e psicológicos impulsionados pela a ativação do sistema de auto preservação do nosso organismo.
Primeiro vamos dar uma vista de olhos nos sintomas físicos:
Sintomas físicos
- Coração acelerado: Taquicardia ou sensação de palpitações e aperto no peito. De forma geral a Taquicardia resume-se pelo aumento da frequência cardíaca acima de 100 batimentos por minuto em repouso, ou seja o coração começa a bater muito rápido.
- Alterações respiratórias: Falta de ar, respiração ofegante ou sensação de sufocamento.
- Tensão e tremores: Rigidez muscular, dores pelo corpo, dores de cabeça e tremores nas mãos e pernas.
- Sinais autonómicos: Estes sinais caracterizam-se pelo mau funcionamento do sistema nervoso Autónomo, incluindo suor excessivo, ondas de calor, calafrios e boca seca.
- Problemas digestivos: Náuseas, dor de estomago, indigestão, gases ou alterações intestinais (diarreia ou prisão de ventre).
- Outros sinais: E ainda outros sinais como tonturas, vertigens e formigamento nos membros.
Sintomas Psicológicos
- Preocupação excessiva: Expectativa constante de que algo terrível vai acontecer, mesmo sem motivo aparente.
- Inquietação mental: Sensação de estar sempre “no limite”, incapacidade de relaxar e irritabilidade fácil.
- Dificuldades cognitivas: Falta de concentração, problemas de memória e indecisão.
- Distúrbios do sono: Insónia, dificuldade em adormecer ou um sono que não é raparador.
- Medos intensos: Pavor de situações especificas, como exposição social ou perda de controlo.
O que pode desencadear a ansiedade?
Para melhor perceber este problema é necessário compreender os fatores que provocam a ansiedade e estes são uma combinação de fatores genéticos, biológicos, ambientais e psicológicos.
Começando com os fatores genéticos e biológicos existe a possibilidade de este problema ser mais suscetível a uma determinada pessoa devido ao seu fator genético. Ou seja uma determinada pessoa pode estar mais sujeita a sofrer de ansiedade devido ao seu histórico familiar, não só isso como alguns problemas de saúde como problemas da tiroide, doenças cardíacas e outros, podem desencadear sintomas ansiosos.
Agora no que diz respeito aos fatores Ambientais e Sociais, aqui a ansiedade pode surgir de pressões excessivas no trabalho, problemas financeiros ou até sobrecarga de responsabilidades. Toda a pressão que estes problemas trazem no dia a dia pode causar ansiedade. Essa ansiedade, em primeira instancia não é algo negativo uma vez que se trata da maneira do nosso corpo nos dizer que devemos estar alerta para os eventos no futuro. No entanto existe a possibilidade de a pessoa nao conseguir controlar a ansiedade que a pressão do acontecimento futuro trás sobre si, e nesse caso a ansiedade começa a tomar os sintomas referidos em cima, neste mesmo artigo.
Traumas e episódios passados tambem podem ser gatilhos para desencadear a ansiedade numa pessoa, aqui a ansiedade sentida vai ser proporcional a intensidade sentida no momento que criou esses traumas.
Em ultimo lugar, mas nao menos importante, temos o estilo de vida adotado pela pessoa, normalmente o uso excessivo de redes sociais, e a necessidade de aprovação inerente delas, o consumo drogas, álcool e cafeina, acompanhadas de uma quantidade de sono insuficiente são tudo fatores propícios a criar níveis de ansiedade muito altos.
Como lidar com a ansiedade no dia a dia?

Lidar com este tipo de problema não é tarefa fácil porem existem técnicas e praticas que podemos usar diariamente para conseguir lidar melhor com as nossas ansiedades, mesmo nao conseguindo elimina-las de vez é bastante vantajoso ter ao nosso dispor o máximo de técnicas para quando um ataque de ansiedade surgir.
Técnicas de controlo de respiração
Pratique a respiração profunda, uma respiração lenta e profunda, comece por inspirar lentamente mas até ao máximo que conseguir, depois de uns 4 a 5 segundos expire tambem lentamente e até ao máximo que conseguir, lembre-se de expirar pela boca. O objetivo é fazer circular a maior quantidade de oxigénio possível pelo cérebro de maneira a poder raciocinar de forma clara e coerente dissipando assim a maioria dos pensamentos negativos que possa estar a ter.
Escreva e nomeie o que sente
Sempre que possível tente escrever aquilo que sente ou aquilo que sentiu, se nao gostar de escrever pode até gravar no seu telemóvel e depois ouvir, o importante aqui é pegar no sentimento e compreende-lo ao máximo, tanto a sua origem como aquilo que o fez sentir. Ao longo de tempo pode fazer um mapa de gatilhos que o vai ajudar a saber aquilo que o provoca e como o seu corpo costuma reagir. Fazer isto é tambem uma forma de autoaceitação onde descobrimos que não somos perfeitos, que temos certas falhas e isso nos torna mais humildes, ser humilde ajuda-o a reconhecer as sua próprias fraquezas e ao saber as suas próprias fraquezas poderá tornar-se mais forte.
Movimente-se e descanse
Tente adotar uma rotina onde tenha pelo menos um momento de exercício físico. Não precisa de ser um esforço rigoroso e pode escolher qualquer altura do dia para o fazer. O importante aqui é que o seu corpo se movimente, se exercite, esse movimento vai estimular a libertação de hormônios como a endorfina e dopamina, que reduzem o estresse, a ansiedade e até sintomas de depressão.
Quando procurar ajuda profissional?
No caso da ansiedade começar a interferir negativamente na sua rotina diária, no trabalho, nos estudos ou nas suas relações pessoais, torna-se um indicador claro de que vai precisar de ajuda médica profissional.
A partir do momento em que sentir que aquilo que fazia normalmente, lhe esta a custar o dobro da energia devido a ansiedade é ai que deve ponderar procurar ajuda médica, no entanto vou deixar aqui alguns sinais claros de alerta para o ajudar:
Sintomas de Alerta
- Sintomas intensos e persistentes: Preocupação excessiva, medo irracional, taquicardia ou falta de ar frequentes.
- Défice funcional: Queda na produtividade, dificuldade de concentração ou problemas de memoria.
- Alterações físicas e emocionais: Problemas graves de sono, insónias, irritabilidade constante ou tristeza frequente.
- Tendência para o isolamento: Quando deixa de fazer atividades normais ou evita situações por medo de sentir ansiedade.
Caso sinta que padece de algum destes sintomas nao evite em pedir ajuda profissional, aqui vou lhe ainda deixar algumas alternativas a quem pode recorrer nestes casos:
- Médico de Família (Cuidados de Saúde Primários): Pode ser o primeiro ponto de contacto em Portugal (através do SNS 24) para despistar causas físicas.
- Psicólogo ou Psiquitra: Profissionais de saúde mental indicados para o diagnóstico correto e tratamento com psicoterapia ou medicação, se necessário. Quanto mais cedo procurar apoio, mais eficaz será a recuperação.
A ansiedade faz parte da experiência humana. Todos nós enfrentamos momentos de preocupação, insegurança ou pressão perante os desafios do dia a dia. O problema surge quando esses sentimentos começam a dominar os nossos pensamentos, a limitar as nossas decisões e a afetar a nossa qualidade de vida.
Aprender a lidar com a ansiedade não significa eliminar todas as preocupações ou manter a calma em qualquer circunstância. Significa, acima de tudo, desenvolver ferramentas para compreender o que sentimos, gerir melhor as nossas reações e enfrentar as dificuldades com mais clareza e confiança.
Pequenas mudanças, como melhorar os hábitos de sono, praticar atividade física, dedicar tempo ao descanso ou recorrer a técnicas de respiração, podem fazer a diferença. No entanto, é importante reconhecer os nossos limites. Quando a ansiedade se torna persistente, intensa ou interfere significativamente com a vida quotidiana, procurar ajuda profissional é um passo de coragem e não um sinal de fraqueza.
Estar preparado para a vida também passa por saber cuidar da mente. Não precisamos de controlar tudo o que acontece à nossa volta, mas podemos aprender, pouco a pouco, a responder de forma mais consciente ao que sentimos. Afinal, a verdadeira força não está em nunca sentir ansiedade, mas em não deixar que ela determine todo o nosso caminho.


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