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Como desenvolver inteligência emocional

Ao longo da vida, todos somos confrontados com situações que despertam emoções intensas. Um elogio pode aumentar a nossa confiança, uma crítica pode gerar frustração, um problema inesperado pode provocar medo e um conflito pode despertar raiva. Sentir estas emoções é natural e faz parte da experiência humana. O verdadeiro desafio não está em evitá-las, mas sim em aprender a compreendê-las e a geri-las de forma equilibrada.

É precisamente aqui que entra a inteligência emocional. Mais do que controlar sentimentos ou esconder emoções, trata-se da capacidade de reconhecer aquilo que sentimos, compreender o impacto que essas emoções têm no nosso comportamento e agir de forma consciente, mesmo perante situações difíceis.

Desenvolver a inteligência emocional não significa deixar de errar ou nunca perder a calma. Significa adquirir ferramentas que nos ajudam a lidar melhor com os desafios do dia a dia, a comunicar de forma mais eficaz, a tomar decisões mais ponderadas e a construir relações mais saudáveis.

Neste artigo vamos explorar o que é a inteligência emocional, porque é tão importante e que estratégias podem ajudar qualquer pessoa a desenvolvê-la. Afinal, quanto melhor compreendermos as nossas emoções, mais preparados estaremos para enfrentar os desafios da vida com equilíbrio, confiança e maturidade.

O que é de facto a inteligência emocional?

O emocional é um campo muito volátil, ou seja, nós sentimos emoções o tempo inteiro, seja com uma música que estamos a ouvir, seja com algo que vimos, ou até de algo que alguém nos disse, o ponto é, sentir emoções é algo que faz parte de cada ser humano e que não podemos evitar.

No entanto mesmo sabendo que não podemos simplesmente carregar num botão e desligar o nosso sistema emocional, podemos pelo menos escolher como reagir após a recessão emocional e é precisamente aí que entra a parte da “inteligência” pois trata-se se uma conduta que criamos de gerir as emoções assim que as recebemos para podermos agir ponderadamente ao invés de simplesmente reagir a todo e qualquer estímulo.

A Inteligência emocional é, portanto, a habilidade de reconhecer, compreender e gerir as nossas próprias emoções, mas tambem identificar e influenciar as emoções das outras pessoas.  Aqui o objetivo não é reprimir sentimentos, mas sim canalizá-los de forma produtiva para tomar decisões equilibradas, lidar com o stress e melhorar os relacionamentos.

Porque é que é importante desenvolver a inteligência emocional?

Parece até um pouco cliché quando se trata sobre o assunto da inteligência emocional, porque cada vez é mais comum encontrares alguém ou até encontrares em algum post relacionado ao tema. No entanto, se refletirmos com cuidado, é possível chegar à conclusão de que muitos crimes são cometidos por pessoas que deixaram o seu emocional tomar conta de si. Crimes de odio, crimes derivados de relacionamentos mal resolvidos, brigas de rua com exaltação dos ânimos.

Para quem gosta de analogias podemos comparar a inteligência emocional com uma chama que quando pequena, fica fácil de controlar, no entanto se a chama aumentar muito fica difícil não se deixar queimar.

É bastante útil que todos consigam a habilidade de controlar as suas emoções de forma a canaliza-las para o seu próprio bem e aos que o rodeiam. Conseguir tal proeza permite-te ter controlo sobre ti próprio controlo das situações e controlo sobre os outros, o oposto seria reagir a todo e qualquer estímulo o que resultaria em desgraça… Muito provavelmente.

Os pilares da inteligência emocional

Neste tópico vamos dividir a inteligência emocional em 5 pilares, em 5 núcleos distintos para melhor entender como funciona este sistema dentro de nós

1º Pilar: O Autoconhecimento

Trata-se da capacidade de reconhecer as próprias emoções quando elas surgem. Entender o que faz desencadear cada uma das emoções que sentimos. Compreender as ações e os pensamentos que cada emoção nos provoca. De um modo geral este é um pilar que nos leva a fazer uma avaliação minuciosa sobre o nosso funcionamento emocional.

2º Pilar: A Automotivação

A automotivação é a capacidade de continuar a agir mesmo quando as emoções querem que faças o contrário.  Quando percorremos um objetivo que só vai dar frutos a longo prazo é muito comum perder a garra, perder o animo, as vezes as emoções levam-nos a querer desistir a meio do caminho, perdemos o foco e ficamos distraídos com outras coisas. A automotivação serve como um sistema que filtra as tuas emoções e te ajuda a voltares ao caminho dos teus propósitos, pessoas automotivadas mantem o foco e a produtividade mesmo diante das frustrações e preocupações que a vida trás.

3º Pilar: A Autorregulação

A Autorregulação consiste em gerir as suas emoções antes que elas tomem as decisões por si. Quando uma emoção muito forte é sentida, como por exemplo a raiva, o primeiro impulso é agir repentinamente sem ponderação alguma. Porque as emoções fazem isso mesmo, fazem nos agir por instinto. A autorregulação serve para isso mesmo, para regular as tuas ações apos sentir alguma coisa. Este pilar serve para manter a calma sobre a pressão e ajudar a tomar as melhores atitudes consoante as realidades que possam surgir.

4º Pilar: Empatia

Assim como nós temos a capacidade de sentir, tambem o outro tem, por muito que consigam disfarçar, as pessoas que nos rodeiam tambem sentem felicidade, sentem medo, raiva, insegurança e por esse motivo tambem essas pessoas necessitam controlar as próprias emoções, mas a grande verdade é que a maioria não consegue. O pilar da empatia consiste em ter em consideração as emoções dos outros, avaliar o que os outros sentem e avaliar o que os outros podem sentir com as nossas ações e emoções. Ser bem sucessedido neste pilar facilita a comunicação, a resolução de conflitos e a construção de relações interpessoais saudáveis.

5º Pilar: Habilidades Sociais

Este pilar foca-se no envolvimento dos outros pilares para o contacto social. Usar essas competências para aprimorar uma comunicação eficaz e assertiva, assim como auxiliar em uma escuta cada vez mais ativa. Este pilar tambem envolve criar uma mentalidade e uma metodologia para a resolução de conflitos ao mesmo tempo que te impulsiona a ser uma pessoa capaz de liderar e geradora de muita influência. No fundo desenvolver habilidades que nos permitam socializar de forma efetiva e funcional com os vários membros da sociedade é um sinal evidente de uma boa inteligência emocional.

Sinais de uma inteligência emocional pouco desenvolvida

Os sinais mais evidentes de alguém que tem uma inteligência emocional pouco desenvolvida são detetados através da dificuldade em gerir impulsos, em compreender o impacto das próprias atitudes nos outros e com a incapacidade de lidar com críticas.

Uma pessoa que não controla as suas emoções e atitudes é uma pessoa muito reativa que age no próprio impulso que não pondera nas ações nem nas palavras.

Situações injustas onde somos incorretamente criticados, acontece hoje com muita facilidade, no entanto o diferencial reside em como lidamos com esse tipo de situações, se uma pessoa de inteligência emocional pouco desenvolvida for criticada injustamente é muito provável que devolva a crítica com uma muito pior escalando os ânimos, sem qualquer ponderação sobre as consequências. Neste tipo de situação a pessoa so quer curar o seu ego ferido afetando o ego da outra pessoa ainda mais. O que pode acabar em conflito e represálias para ambas as partes. Por outro lado, se alguém com mais inteligência emocional recebe o mesmo tipo de crítica injusta, vai ponderar brevemente sobre a situação, a pessoa e sobre a veracidade da mesma, vai responder de acordo evitando escalar conflitos, puxando para a racionalidade dos factos e assim mostrar a sua superioridade, não através da intimidação causada pela emoção, mas pela intimidação causada pela sua postura.

Como desenvolver a inteligência emocional?

Para quem quer desenvolver inteligência emocional devo dizer antemão que não é um trabalho fácil. Mas como qualquer problema é necessário analisar, com um senso critico a raiz do problema para depois poder agir sobre o mesmo.

Nesse sentido o primeiro passo é tentar identificar os gatilhos que nos fazem passar de um estado racional para um estado emocional.

Talvez ser criticado ou alvo de brincadeiras te faça sentir os nervos à flor da pele, talvez uma situação que consideres bastante injusta faça com que percas a racionalidade.

São esses pequenos gatilhos, juntamente com as ações que eles impulsionam que devem ser compreendidos, se te ajudar faz um diário onde escreves aquilo que sentiste e as ações que tomas te, ao conseguires identificar padrões de comportamento vais conseguir controla-los melhor.

Após teres alguns episódios guardados numa folha ou caderno é interessante revive-los mentalmente.

Considero que durante a noite deitado na cama, o quarto escuro e silencioso acompanhado com algumas músicas calmas, seja a melhor altura para o fazer. Depois é so escolher um episodio da tua vida onde se sentis te mais emocional e tentar revive-lo como se fosses um fantasma a assistir a tua própria vida.

Tenta reviver o que sentis te, tenta rebobinar a cena e tentar agir de outro jeito, faz múltiplos ensaios com a tua imaginação de como seria se agisses de forma diferente. Se voltares a sentir um surgimento emocional muito forte é sinal que estás a tocar na ferida certa e é exatamente aí que deves insistir. E antes de adormeceres faz um breve e simples exercício de respiração, inspira e expira por alguns segundos e espera pelo dia seguinte.

E agora o que fazer com estas informações?

Desenvolver inteligência emocional não significa deixar de sentir emoções, evitar situações difíceis ou conseguir manter a calma em todos os momentos. As emoções fazem parte de nós e desempenham um papel importante na forma como percebemos e reagimos ao mundo. O verdadeiro objetivo é aprender a reconhecê-las, compreendê-las e escolher de que forma queremos responder a elas.

Este é um processo que exige tempo e prática. Aprender a fazer uma pausa antes de reagir, ouvir os outros, aceitar críticas, reconhecer os próprios erros e compreender aquilo que estamos a sentir são pequenas mudanças que, quando praticadas de forma consistente, podem transformar a maneira como lidamos com os desafios.

Ao desenvolver esta capacidade, tornamo-nos mais conscientes das nossas próprias ações e mais preparados para lidar com conflitos, pressão, frustração e relações pessoais. Não passamos a controlar tudo o que acontece à nossa volta, mas ganhamos maior controlo sobre a forma como respondemos ao que acontece.

No final, a inteligência emocional é mais uma ferramenta que podemos acrescentar à nossa preparação. Porque estar preparado para a vida não significa saber exatamente o que vai acontecer, mas possuir as ferramentas necessárias para enfrentar o inesperado com maior clareza, equilíbrio e confiança.

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